O Sermão

Novo Testamento

Hebreus

O nome Πρὸς Ἑβραίους, a superioridade de Cristo sobre anjos, Moisés e o sacerdócio levítico, o sacrifício único e suficiente, a fé dos heróis do capítulo 11 e o chamado a olhar para Jesus.

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Hebreus

Ficha do Livro

✍Autor provável

Anônimo — o texto não nomeia o autor; Orígenes disse que 'só Deus sabe' quem escreveu; já foram propostos Paulo, Barnabé, Apolo, Lucas e Priscila

◷Data provável

Provavelmente c. 64–68 d.C., antes da destruição do templo em 70 d.C. (o texto fala do culto no templo no tempo presente); data debatida

📜Gênero literário

Sermão escrito ('palavra de exortação', Hb 13:22) que termina com características de carta; argumentação baseada no Antigo Testamento, com cinco advertências

◎Destinatários

Cristãos de origem judaica, cansados e sob pressão, tentados a voltar ao judaísmo — um chamado a perseverar em Cristo, superior a tudo o que o precedeu

1. O Nome do Livro

O título original é Pros Hebraious, "Aos Hebreus", e foi acrescentado depois, porque o texto não traz o nome do autor nem dos destinatários.

GregoHebreus 7:27

ἐφάπαξ

Ephapax

'De uma vez por todas' — o advérbio que descreve a suficiência do sacrifício de Cristo (Hebreus 7:27; 9:12; 10:10)

O livro apresenta Cristo como superior a tudo: aos anjos, a Moisés, a Josué, ao sacerdócio de Arão, à antiga aliança e aos seus sacrifícios. A palavra "melhor" aparece cerca de treze vezes. É a obra mais refinada do Novo Testamento em grego, e a mais profunda explicação do significado da cruz à luz do Antigo Testamento.


2. Autoria e Data

O autor é desconhecido. A igreja oriental o atribuiu a Paulo, e a ocidental só aceitou essa atribuição mais tarde. Orígenes resumiu: "Quem escreveu a carta, só Deus sabe". Calvino, entre outros, duvidava da autoria paulina, e o estilo, o vocabulário e o modo de citar o Antigo Testamento (em geral pela Septuaginta) são diferentes dos de Paulo. O autor conhecia Timóteo (Hb 13:23) e escreve a partir da Itália ("os da Itália vos saúdam", 13:24). Como o texto fala do culto no templo sem mencionar a sua destruição, a data mais comum é anterior a 70 d.C.


3. Estrutura Literária

Estrutura de Hebreus


4. O Filho, Superior a Tudo

O livro abre sem saudação, com uma das frases mais majestosas do Novo Testamento:

"Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nos falou, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas."

Hebreus 1:1-3

Deus falou antes por profetas, mas agora falou por um Filho, e esse Filho é o criador, o sustentador e o redentor. O livro avisa logo a seguir sobre o risco de se afastar: "Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" (2:3). É a primeira das cinco advertências do livro (também 3:7–4:13; 5:11–6:12; 10:26-39; 12:25-29).


5. O Sumo Sacerdote que Compreende

No centro do livro, Cristo é apresentado como sumo sacerdote, e o tom é de consolo:

"Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para socorro em ocasião oportuna."

Hebreus 4:14-16

O autor usa Melquisedeque, o rei-sacerdote de Gênesis 14 e do Salmo 110:4, para mostrar que o sacerdócio de Cristo é superior ao de Arão: não depende de linhagem, mas de "vida indestrutível" (7:16), e dura para sempre. Por isso Cristo pode "salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (7:25).


6. De Uma Vez por Todas

O argumento dos capítulos 8–10 é que o sacrifício de Cristo cumpre e substitui todo o sistema sacrificial. A antiga aliança exigia repetição, e o sacrifício de Cristo é definitivo:

"Nesta vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas... Ele, porém, depois de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus... Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados."

Hebreus 10:10-14

Os sacerdotes levitas ficavam em pé, "oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios" (10:11), mas Cristo assentou-se, sinal de que a obra está acabada. Hebreus cita Jeremias 31:31-34 por inteiro (8:8-12): a nova aliança inclui perdão completo e lei no coração, e por isso Cristo é "Mediador de superior aliança" (8:6).


7. A Fé e a Corrida

O capítulo 11 é a "galeria dos heróis da fé" do Antigo Testamento:

GregoHebreus 11:1

πίστις

Pistis

Fé, confiança — a certeza do que se espera, a convicção do que não se vê

"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem... De fato, sem fé é impossível agradar a Deus; porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."

Hebreus 11:1, 6

Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Moisés, Raabe e outros vivem pela promessa, sem ver o cumprimento (11:13, 39). O capítulo seguinte aplica o exemplo: "Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia" (12:2). O livro termina com uma declaração que sustenta a perseverança: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente" (13:8).


Leituras Recomendadas

  • Peter O'Brien — The Letter to the Hebrews (Pillar New Testament Commentary)
  • William Lane — Hebrews (Word Biblical Commentary, 2 vols.)
  • Philip Hughes — A Commentary on the Epistle to the Hebrews — comentário reformado clássico
  • John Owen — Exposição da Epístola aos Hebreus — obra puritana monumental
  • João Calvino — Comentário de Hebreus — leitura reformada clássica