1. O Nome
O nome Ἐπαφρᾶς (Epaphras), Epafras, é uma forma abreviada de Epafrodito, nome grego que contém o nome de Afrodite e significa "favorecido por Afrodite" ou "belo". Era um nome comum entre gregos e libertos. O Novo Testamento não comenta o sentido do nome, mas o texto o apresenta como alguém de Colossos, do meio deles (Cl 4:12).
Ἐπαφρᾶς
Epaphras
Forma abreviada de Epafrodito, nome grego que contém o nome de Afrodite; o Novo Testamento não comenta o significado
Não deve ser confundido com Epafrodito, de Filipos, ainda que os nomes tenham a mesma raiz. As cartas os tratam como pessoas diferentes: um liga-se a Filipos e outro a Colossos, e os papéis também diferem.
2. Ficha rápida
✦Ficha rápida
- Outras formas: forma abreviada de Epafrodito; em grego, Ἐπαφρᾶς (Epaphras).
- Período: século I d.C., na época da prisão de Paulo.
- Locais: Colossos, Laodiceia, Hierápolis (Cl 4:13); o local da prisão de Paulo.
- Família: o texto não registra.
- Papel: evangelista de Colossos; ministro de Cristo; mensageiro de Colossos a Paulo; companheiro de prisão.
- Onde aparece: Colossenses 1:7-8; 4:12-13; Filemom 23.
- Em uma frase: o homem que levou o evangelho a Colossos e que lutava em oração pelas igrejas do vale do Lico.
3. Quem foi
Epafras aparece pela primeira vez na carta aos Colossenses, na seção em que Paulo lembra como o evangelho chegou à cidade. Ele diz que os colossenses ouviram e conheceram a graça de Deus em verdade, como aprenderam de Epafras, "nosso amado conservo", que é "fiel ministro de Cristo" a favor deles (Cl 1:7). A frase tem um peso: o evangelho em Colossos veio por meio de Epafras, e não do próprio Paulo, que não conhecia a igreja pessoalmente (Cl 2:1, em resumo).
O versículo seguinte registra a ligação entre Colossos e Paulo: foi Epafras quem informou Paulo a respeito "do vosso amor no Espírito" (Cl 1:8). Epafras, portanto, foi até Paulo, preso, para levar notícias. Pode ter sido ele também quem relatou os problemas teológicos que a carta enfrenta, entre eles o perigo de uma filosofia que ameaçava o lugar de Cristo (Cl 2:8-23, em resumo).
Na parte final da carta, Paulo manda saudações de vários companheiros e dá a Epafras um elogio que descreve seu trabalho:
Cl 4:12"se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações"
O verbo traduzido por "esforça" é da família de agon, a palavra para luta atlética. Paulo acrescenta o conteúdo da oração: que eles permaneçam perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus (Cl 4:12). E dá o seu testemunho: Epafras "muito se preocupa por vós, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis" (Cl 4:13). Os três lugares ficam no vale do rio Lico, na região da Frígia.
Em Filemom 23, Paulo manda saudações de "Epafras, prisioneiro comigo, em Cristo Jesus". A frase sugere que Epafras estava preso com Paulo, ou que se considerava companheiro de seu cativeiro. A carta a Filemom é escrita ao mesmo tempo que Colossenses, e os dois textos têm vários nomes em comum. O Novo Testamento não diz mais nada sobre Epafras.
4. Contexto histórico e cultural
Colossos, Laodiceia e Hierápolis eram cidades próximas, no vale do Lico, na província romana da Ásia. Colossos, em tempos de Paulo, era menor que as vizinhas, e já fora um centro importante de comércio de lã. A igreja ali nasceu, ao que tudo indica, durante o longo período em que Paulo esteve em Éfeso e todos os habitantes da Ásia ouvindo a palavra do Senhor (At 19:10). Muitos estudiosos pensam que Epafras foi convertido nessa época e levou o evangelho a sua cidade.
A carta aos Colossenses enfrenta uma ameaça: uma mistura de práticas, que o texto chama de filosofia e vãs sutilezas (Cl 2:8), de observâncias de festas e dietas, culto a anjos e experiências visionárias (Cl 2:16-18, em resumo). Os estudiosos discutem a natureza exata dessa "heresia colossense". Epafras provavelmente foi quem a trouxe a Paulo, e a carta responde a isso com a supremacia de Cristo (Cl 1:15-20).
O vale do Lico também é mencionado em Apocalipse 3:14-22, em que a igreja de Laodiceia recebe uma das mensagens às sete igrejas. A carta aos Colossenses menciona uma carta "de Laodiceia" que devia ser lida em Colossos (Cl 4:16). As igrejas da região mantinham contato e trocavam textos.
Um aspecto digno de nota é a relação entre Epafras e as outras duas cidades do vale do Lico. Paulo diz que ele se preocupa com Colossos, Laodiceia e Hierápolis (Cl 4:13). Isso pode indicar que Epafras foi o evangelista de toda a região, e não apenas de Colossos, ou que acompanhava as três igrejas como pastor itinerante. A carta de Paulo pede que a mensagem seja lida também em Laodiceia, e que os colossenses leiam a carta que vem de lá (Cl 4:16). A região funcionava como uma rede de igrejas ligadas por pessoas como Epafras.
O texto também sugere o motivo da viagem de Epafras. Ele foi até Paulo para relatar o que acontecia em Colossos, de um lado o amor no Espírito (Cl 1:8), de outro a pressão de ensinos que ameaçavam a centralidade de Cristo. A carta é uma resposta pastoral a essa situação. Isso faz de Epafras um tipo de elo entre a base e a liderança apostólica: quem leva informações verdadeiras e pede ajuda.
A expressão "prisioneiro comigo" em Filemom 23 é digna de reflexão. Se Epafras estava mesmo preso, o custo de seu ministério era alto. Se a expressão é figurada, indica que ele se sentia cativo de Cristo, ao lado de Paulo. Nos dois casos, o texto o associa ao sofrimento do apóstolo e rompe a imagem de um ministério confortável.
Por fim, o contraste com Paulo é instrutivo. Paulo escreve a carta, mas não fundou a igreja; Epafras fundou e permanece sem aparecer em Atos. O Novo Testamento está cheio de pessoas assim, que levaram o evangelho a cidades onde os apóstolos não passaram. O cristianismo primitivo cresceu por muitas mãos, e Epafras é uma delas.
5. Linha do tempo
Linha do tempo
6. O que a Escritura ensina por meio dele
Quem leva o evangelho nem sempre é famoso. Epafras fundou uma igreja que Paulo nem conhecia pessoalmente. O livro de Atos não o menciona, e o Novo Testamento o registra em poucos versículos.
Oração é luta. "Se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações" (Cl 4:12) usa a linguagem do atleta e do soldado. A oração de Epafras era trabalho, e não formalidade.
Pastor se preocupa com o rebanho. O texto diz que ele "muito se preocupa" com as igrejas (Cl 4:13). A preocupação pastoral inclui os que estão perto e os que estão em cidades vizinhas.
Fidelidade é o título maior. "Fiel ministro de Cristo" (Cl 1:7) é a avaliação de Paulo. Mais do que dons, o texto destaca a fidelidade.
Quem informa também serve. O relato de Epafras a Paulo, sobre o amor dos colossenses (Cl 1:8), e provavelmente sobre os riscos, mostra o valor de quem leva notícias com honestidade e preocupação.
O que cada tradição destaca. As buscas feitas para esta rodada não retornaram fonte verificável das quatro tradições (reformada, batista, luterana e pentecostal) sobre Epafras como personagem, e por isso este perfil não lhes atribui posições. As tradições usam Colossenses 4:12-13 como modelo de oração pastoral e de zelo pelas igrejas.
7. Cristo e o personagem
A carta em que Epafras aparece é uma das mais ricas em cristologia. O hino de Colossenses 1:15-20 apresenta Cristo como imagem do Deus invisível, primogênito de toda a criação, aquele em quem todas as coisas foram criadas e em quem tudo subsiste, cabeça do corpo, a igreja, e reconciliador de todas as coisas. Epafras pregou esse evangelho, e foi em defesa dele que a carta foi escrita.
O trabalho de Epafras se resume em dois textos: ele ensina o evangelho (Cl 1:7) e ora para que os colossenses permaneçam firmes na vontade de Deus (Cl 4:12). A combinação de ensino e oração é o centro do ministério pastoral que o Novo Testamento descreve (At 6:4, em resumo).
A expressão "prisioneiro comigo, em Cristo Jesus" (Fm 23) liga Epafras ao sofrimento de Paulo, e o sofrimento aparece como participação em Cristo. O texto não detalha as circunstâncias da prisão. Essa ligação é de leitor.
8. Pontos em debate
ℹOnde os intérpretes divergem
A natureza da ameaça em Colossos. A carta combate uma "filosofia" com elementos de judaísmo, culto a anjos e ascetismo. Os estudiosos propõem influências judaicas, helenísticas ou sincréticas. Este perfil não decide.
A prisão de Epafras. "Prisioneiro comigo" (Fm 23) pode significar prisão literal ou ser metáfora do serviço. O texto não esclarece. Este perfil registra as duas leituras.
O local da prisão de Paulo. Colossenses e Filemom são geralmente situadas em Roma, mas a hipótese de Éfeso ou Cesareia é discutida. Isso afeta a distância percorrida por Epafras. Este perfil registra o debate.
A autoria de Colossenses. Muitos aceitam que Paulo escreveu a carta, outros veem composição por um discípulo. Este perfil cita a carta como obra de Paulo, na forma que a tradição lhe atribui, e registra o debate.
Epafras e Epafrodito. Alguns propõem que seriam a mesma pessoa, mas a maioria dos estudiosos os trata como diferentes, por causa dos contextos. Este perfil adota essa leitura.
9. O que aprender hoje
Ore como quem luta. Epafras não orava por obrigação, mas com esforço, de modo contínuo.
Cuide das igrejas ao redor. A preocupação de Epafras alcançava Laodiceia e Hierápolis. O zelo pastoral não se limita à própria comunidade.
Leve o que você vê aos que podem ajudar. Epafras foi a Paulo, informou e buscou apoio para os colossenses.
Sirva fielmente, mesmo na obscuridade. O título que Paulo lhe dá, "fiel ministro", é maior que qualquer fama.
Aceite o custo. Estar com Paulo na prisão implicava risco. O ministério de Epafras inclui compartilhar o sofrimento.
10. Leituras Recomendadas
- Calvino, João. Commentaries on the Epistles of Paul to the Philippians, Colossians, and Thessalonians. Domínio público, disponível em ccel.org.
- Moo, Douglas J. The Letters to the Colossians and to Philemon. Pillar New Testament Commentary. Eerdmans, 2008.
- O'Brien, Peter T. Colossians, Philemon. Word Biblical Commentary, vol. 44. Word, 1982.
- Wright, N. T. Colossians and Philemon. Tyndale New Testament Commentaries. IVP, 1986.
- Henry, Matthew. Comentário Bíblico, sobre Colossenses. Domínio público.