O Sermão

Personagem

Asafe

Levita e chefe dos cantores de Davi, vidente e salmista, a quem se atribuem os Salmos 50 e 73 a 83. Asafe mostra a música a serviço da doutrina e o salmista que quase perdeu o equilíbrio ao ver os ímpios prosperarem.

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1. O Nome

O nome אָסָף (Asaf), Asafe, vem do verbo hebraico que significa "ajuntar" ou "recolher", e é geralmente entendido como "ele ajuntou" ou "o que ajunta". O texto bíblico não explica o nome. O verbo é o mesmo de expressões como "ser recolhido ao seu povo" na morte (Gn 25:8), mas a ligação com o personagem não é desenvolvida.

Hebraico1Cr 6:39

אָסָף

Asaf

Do verbo 'ajuntar, recolher'; geralmente 'ele ajuntou'. O texto não explica o nome

Asafe aparece como nome de pessoa e, em seguida, como nome de um grupo: "os filhos de Asafe" são os cantores levitas que serviram no Templo durante séculos (Ed 3:10; Ne 7:44). O nome designa o homem e a corporação.


2. Ficha rápida

✦Ficha rápida

  • Outras formas: em grego, Ἀσάφ (Asaph), nas versões gregas.
  • Período: reinado de Davi, tradicionalmente no século X a.C.
  • Locais: Jerusalém, diante da arca; depois o Templo de Salomão.
  • Família: levita, descendente de Gérson, filho de Berequias (1Cr 6:39, conforme a genealogia dos levitas).
  • Papel: chefe dos cantores e músicos levitas, tocador de címbalos, vidente; a ele se atribuem doze salmos (Sl 50 e 73 a 83).
  • Onde aparece: 1Crônicas 6, 15, 16 e 25; 2Crônicas 5 e 29; Esdras 2 e 3; Neemias 7 e 12; títulos dos Salmos 50 e 73 a 83.
  • Em uma frase: o levita que Davi encarregou de celebrar o Senhor com hinos e cuja família conduziu o louvor de Israel por gerações.

3. Quem foi

Asafe surge no livro de Crônicas na organização do culto de Davi. Quando a arca chega a Jerusalém, Davi designa levitas para o serviço diante dela. O texto registra: "Designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do Senhor" (1Cr 16:4). Entre eles, "Asafe, o chefe, Zacarias, o segundo", e Asafe "fazia ressoar os címbalos" (1Cr 16:5). O versículo seguinte marca um ponto novo:

"Davi encarregou, pela primeira vez, a Asafe e a seus irmãos de celebrarem com hinos o Senhor"

1Cr 16:7

Em seguida, vem o salmo de ação de graças que começa com "Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome" (1Cr 16:8). Asafe e seus irmãos permaneceram diante da arca para o serviço de cada dia (1Cr 16:37).

Em 1Crônicas 25, Davi e os chefes do serviço separam para o ministério musical os filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum, com harpas, alaúdes e címbalos. O texto diz que Davi "separou para o ministério os filhos de Asafe", que exerciam o ministério "debaixo das ordens do rei" (1Cr 25:1-2). O capítulo mostra uma organização em turnos, com famílias treinadas, e informa que o grupo total dos cantores instruídos somava duzentos e oitenta e oito (1Cr 25:7).

O título "vidente" é dado a Asafe em Crônicas. Quando o rei Ezequias reorganiza o culto, manda os levitas louvarem ao Senhor "com as palavras de Davi e de Asafe, o vidente" (2Cr 29:30). O termo sugere que Asafe tinha um papel profético, e não apenas musical.

A ele são atribuídos doze salmos: o 50 e os de 73 a 83. O Salmo 73 é o mais conhecido. Começa com uma afirmação e uma confissão: "Deus é bom para com Israel", e o salmista confessa: "quase me resvalaram os pés" (Sl 73:1-2). A razão é a inveja da prosperidade dos ímpios. Ao pensar no assunto, ele diz: "achei mui pesada tarefa para mim" (Sl 73:16). A virada vem em seguida:

"entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles"

Sl 73:17

O salmo termina com uma declaração de confiança: "Quem mais tenho eu no céu?" e "Não há outro em quem eu me compraza na terra" (Sl 73:25). E conclui: "Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl 73:26).

O Salmo 50 é diferente: Deus convoca a terra e fala. "Fala o Poderoso, o Senhor Deus, e chama a terra desde o Levante até ao Poente" (Sl 50:1). O salmo diz que Deus não precisa de sacrifícios, e pede: "Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo", e promete: "invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sl 50:14-15). O Salmo 78 é um salmo de ensino, que começa assim: "Escutai, povo meu, a minha lei", e propõe contar "à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez" (Sl 78:1, 4). Termina com Davi, de quem diz: "E ele os apascentou consoante a integridade do seu coração" (Sl 78:72).


4. Contexto histórico e cultural

A música no culto de Israel foi organizada por Davi e depois transmitida pelas famílias levíticas. Asafe, Hemã e Jedutum são os três chefes dessas famílias (1Cr 25:1). A carreira de músico era hereditária, e os "filhos de Asafe" aparecem no retorno do exílio, em Esdras 2:41 e 3:10, e na dedicação do muro por Neemias (Ne 12:46), séculos depois.

Asafe era levita, mas não sacerdote. Descendia de Gérson (1Cr 6:39-43), e não de Arão. O serviço de música era uma função própria dos levitas. Os instrumentos mencionados (címbalos, harpas e alaúdes) mostram uma música de acompanhamento, e os textos não descrevem as melodias.

Os salmos atribuídos a Asafe têm características comuns: tratam de crises nacionais, da justiça de Deus, da história de Israel e do juízo (Sl 74, 79, 80, 83). Os que levam seu nome incluem tanto lamentações quanto reflexões didáticas. A expressão hebraica que introduz os títulos pode significar "de Asafe", "para Asafe" ou "da escola de Asafe", e os estudiosos discutem se indica autoria ou associação à guilda. Este perfil não decide.


5. Linha do tempo

Linha do tempo


6. O que a Escritura ensina por meio dele

Louvor organizado serve à fé do povo. Davi não deixou o louvor ao acaso. Designou pessoas, treinou famílias e fez da música um ministério (1Cr 25). A tradição cristã de formar equipes de louvor e cantores tem aí uma raiz.

A música ensina. O Salmo 78 é um salmo didático: "contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor" (Sl 78:4). O canto transmite história e doutrina de uma geração a outra.

É permitido confessar a dúvida na oração. O Salmo 73 começa com um salmista que quase escorregou, que se angustiou com a prosperidade dos ímpios e que, ao entrar no santuário, mudou de perspectiva (Sl 73:2, 16-17). O texto não esconde a crise.

A presença de Deus é o bem maior. "Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl 73:26) é a resposta de quem passou pela dúvida. O que ele encontrou no santuário foi perspectiva e presença.

Ação de graças é culto. O Salmo 50 diz que o sacrifício agradável a Deus é o de ações de graças e votos cumpridos (Sl 50:14). Culto sem coração é rejeitado.

O que cada tradição destaca. As buscas feitas para este perfil retornaram, para a tradição batista, o comentário de Charles Spurgeon sobre o Salmo 73 em The Treasury of David, em que Spurgeon descreve a dificuldade do salmista com a prosperidade dos ímpios e como foi ajudado ao entrar no santuário (Sl 73:16-17); segundo o mesmo resumo, Spurgeon admite que Asafe pode ser autor de alguns, senão de todos, os doze salmos que levam seu nome. Matthew Henry, de tradição reformada/puritana, apresenta posição semelhante quanto à autoria. Para as tradições luterana e pentecostal, não encontrei fonte verificável específica sobre Asafe, e este perfil não lhes atribui posição própria. A busca não retornou material sobre a leitura pentecostal da adoração ligada a Asafe.


7. Cristo e o personagem

O Novo Testamento cita um salmo de Asafe em Mateus 13:35. O evangelista diz que Jesus falava por parábolas para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta. Muitos intérpretes reconhecem aí o Salmo 78:2, que diz: "Abrirei os lábios em parábolas". A ligação mostra que Jesus ensinava no estilo do salmo e que o evangelista leu o salmo de Asafe como profético. Essa leitura é de Mateus, e a tradição cristã a mantém.

O Salmo 50 fala de Deus que vem do monte Sião e não se cala, e que quer ações de graças em vez de sacrifícios vazios. O Novo Testamento retoma o tema em Hebreus 13:15, que fala de oferecer a Deus sacrifício de louvor, em ligação com o Salmo 50:14. Essa conexão é uma leitura de leitores.

O Salmo 73 é lido por muitos cristãos como testemunho da esperança em Deus além da morte: "Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sl 73:26). A palavra "herança" ecoa o vocabulário levita: o Senhor era a herança dos levitas (Dt 10:9). Asafe, levita, reconhece Deus como porção.


8. Pontos em debate

ℹOnde os intérpretes divergem

Autoria dos salmos de Asafe. Os títulos dizem "de Asafe". Alguns estudiosos entendem que Asafe os compôs; outros, que foram compostos por membros do grupo de cantores que levava seu nome; outros, que foram dedicados ao seu coro. Spurgeon e Henry, segundo o resumo consultado, discutem as hipóteses. Este perfil não decide.

Asafe como vidente. O termo "vidente" (2Cr 29:30) indica que ele tinha uma função profética. Os estudiosos discutem o que isso implica, se oráculos nos salmos ou o simples fato de falar em nome de Deus no louvor. O texto não esclarece.

O período dos salmos 74, 79 e 83. Esses salmos descrevem destruição do santuário e ataques de nações. A data é discutida: alguns pensam no exílio, outros em ameaças anteriores. Se forem do exílio, a autoria por Asafe, contemporâneo de Davi, precisa ser entendida em sentido de escola. Este perfil registra a dificuldade.

A identidade do Asafe de Neemias 2:8. O Asafe que ali aparece como guarda do rei é outro homem de mesmo nome, e não se deve confundir. O texto não diz nada além do nome.


9. O que aprender hoje

Organize o louvor com seriedade. Davi treinou cantores e músicos (1Cr 25:7). O louvor melhora quando é cuidado com preparo e com função clara.

Faça do canto um instrumento de ensino. Cante a história de Deus para a próxima geração. Letras que contam o que Deus fez ficam na memória.

Seja honesto sobre a crise. "Quase me resvalaram os pés" (Sl 73:2) é uma confissão que muitos cristãos reconhecem. O salmo ensina que a dúvida pode ser levada ao santuário.

Entre no santuário. A perspectiva muda quando o crente se coloca na presença de Deus e na adoração reunida (Sl 73:17). Para Asafe, foi lá que ele atinou.

Faça de Deus o seu bem maior. "Quem mais tenho eu no céu?" (Sl 73:25) é pergunta e resposta. A vida cristã tem como centro a pessoa de Deus.


10. Leituras Recomendadas

  • Spurgeon, Charles H. The Treasury of David, comentário sobre os Salmos 50 e 73 a 83. Domínio público, disponível em spurgeon.org e reformedreader.org.
  • Henry, Matthew. Comentário Bíblico, sobre os Salmos 50 e 73. Domínio público.
  • Calvino, João. Commentary on the Book of Psalms (sobre os salmos de Asafe). Domínio público, disponível em ccel.org.
  • Kidner, Derek. Psalms 73-150. Tyndale Old Testament Commentaries. IVP, 1975.
  • Tate, Marvin E. Psalms 51-100. Word Biblical Commentary, vol. 20. Word, 1990.