IntroduçãoA pergunta que não passa
Existe uma oração que quase todo crente já fez, com palavras diferentes: "Até quando?" Até quando esta doença, esta injustiça, este silêncio, este ambiente de trabalho em que o desonesto prospera e o honesto fica para trás? Até quando o Senhor vai deixar as coisas como estão?
Habacuque, um profeta de Judá que viveu por volta do fim do século VII antes de Cristo, fez exatamente essa pergunta. Ele abre o seu livro com ela: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?" (Habacuque 1.2). Via violência, leis frouxas e justiça torcida entre o próprio povo de Deus. E, quando a resposta chegou, ela foi pior do que o silêncio: Deus levantaria os caldeus, o império babilônico, para castigar Judá.
A resposta divina, porém, não termina em Habacuque 1. No capítulo 2, o profeta sobe à sua torre de vigia e fica esperando. O que recebe é uma ordem para escrever, uma promessa que parece tardar, uma frase curta que atravessaria o Novo Testamento ("o justo viverá pela sua fé") e uma série de cinco lamentos sobre o império que parecia invencível. No fim, um silêncio solene: "O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra" (Habacuque 2.20).
Este ebook percorre esse capítulo como quem sobe, degrau por degrau, a escada de uma atalaia. Veremos o que significa esperar, por que Deus responde com um provérbio de escárnio, o que ele diz sobre a riqueza roubada, a cidade construída com sangue, o cálice que passa de mão e os ídolos sem fôlego. E veremos onde a cruz de Cristo encontra tudo isso, porque a justiça que Habacuque esperava não foi dispensada: foi cumprida.