IntroduçãoA conta que ninguém fecha
Antigamente, em muitos bairros do Brasil, havia a caderneta do armazém. O dono do balcão anotava ali, a lápis, o que cada família levava "para pagar no fim do mês". Todo cliente sabia que existia uma folha com o seu nome, e todo cliente sabia, mais ou menos, o que estava escrito nela. Quando a dívida era quitada, o comerciante riscava a linha. Riscar era o gesto que dizia: acabou, não devo mais nada.
Quase todos nós mantemos uma caderneta parecida, só que invisível. Nela estão anotados o colega que nos humilhou diante da equipe, o parente que nunca pediu desculpas, o amigo que espalhou o que lhe contamos em confiança, o irmão da igreja que passou por cima de nós. A letra é pequena, mas a memória é boa. Basta um aniversário, um cheiro, um nome na tela do celular, e a folha se abre sozinha.
O problema é que essa caderneta cobra juros. Quem guarda um rancor descobre que ele ocupa mais espaço a cada ano: invade o sono, o humor, o casamento, a oração. Por isso a Bíblia não trata o perdão como um enfeite para almas gentis. Trata como questão de vida e de saúde da alma.
Este ebook nasceu de uma pergunta que Pedro fez a Jesus e de uma advertência que Jesus fez aos seus discípulos: como perdoar quem nos feriu, até onde ir e o que fazer quando o ofensor não se arrepende? Vamos caminhar por três textos centrais (Mateus 18.21-35, Lucas 17.1-6 e Colossenses 3.12-14), acompanhados de outras passagens que iluminam o assunto. A resposta não será simples, mas será libertadora: o cristão perdoa porque foi perdoado, e o perdão que recebeu ensina a medida do que oferece.