O Sermão

Personagem

Malaquias

Último livro do Antigo Testamento, Malaquias confronta sacerdotes e povo no pós-exílio em seis diálogos, de 'Eu vos tenho amado' ao anúncio do mensageiro que prepara o caminho do Senhor. Quem foi o profeta cujo nome pode significar 'meu mensageiro'?

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1. O Nome

O nome מַלְאָכִי (Mal'akhi), Malaquias, significa "meu mensageiro" ou "meu anjo", da raiz mal'akh, "mensageiro". O livro abre com "Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias" (Ml 1:1). Os estudiosos discutem se Mal'akhi é nome próprio ou título ("meu mensageiro"), porque o mesmo termo aparece em Malaquias 3:1, onde o Senhor diz "envio o meu mensageiro". Além disso, as antigas traduções gregas e aramaicas tratam a palavra como título.

HebraicoMl 1:1

מַלְאָכִי

Mal'akhi

'Meu mensageiro'; da raiz de 'mensageiro'. Debate-se se é nome próprio ou título do profeta

O livro não dá genealogia, origem ou dados pessoais. Tudo o que se sabe do profeta vem do conteúdo do livro.


2. Ficha rápida

✦Ficha rápida

  • Outras formas: em grego, Μαλαχίας (Malachias).
  • Período: pós-exílico, provavelmente no século V a.C., depois da reconstrução do Templo, num contexto próximo ao de Neemias.
  • Locais: Jerusalém e Judá.
  • Família: o livro não registra.
  • Papel: profeta; último livro do Antigo Testamento nas Bíblias cristãs.
  • Onde aparece: livro de Malaquias; citado em Mateus 11:10, Marcos 1:2 e Lucas 1:17.
  • Em uma frase: o profeta que, em seis disputas com o povo, cobrou fidelidade a Deus e anunciou o mensageiro que prepararia o caminho do Senhor.

3. Quem foi

O livro de Malaquias tem uma forma própria: o profeta apresenta uma afirmação de Deus, o povo contesta com uma pergunta, e Deus responde. Esse padrão de "disputa" estrutura o livro. A primeira é sobre o amor de Deus:

"Eu vos tenho amado, diz o Senhor"

Ml 1:2

O povo pergunta: "Em que nos tens amado?", e o Senhor responde lembrando a escolha de Jacó, em vez de Esaú (Ml 1:2-5, em resumo). A segunda disputa é com os sacerdotes, que desonram o nome do Senhor. O Senhor usa a imagem familiar: "O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor" (Ml 1:6). Eles oferecem animais cegos e defeituosos, e o texto pergunta: "Quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não é isso mal?" (Ml 1:8). Em contraste, o Senhor declara: "é grande entre as nações o meu nome" (Ml 1:11).

No capítulo 2, os sacerdotes são acusados de se desviarem do caminho e de fazerem tropeçar muitos. O texto afirma um princípio: "Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento" (Ml 2:7). Em seguida, o profeta aborda a infidelidade no povo: "Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus?" (Ml 2:10). Condena os casamentos com mulheres que adoravam outros deuses e a quebra de compromissos conjugais, e afirma que "o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio" (Ml 2:16). O capítulo termina com a queixa do povo: onde está o Deus da justiça? (Ml 2:17, em resumo).

O capítulo 3 abre com a resposta:

"Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim"

Ml 3:1

O texto continua: o Senhor, a quem procuram, virá de repente ao seu Templo, e a pergunta é: "Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda?" (Ml 3:2). Ele purificará os filhos de Levi como o ouro e a prata (Ml 3:3, em resumo). Então, uma afirmação de fidelidade: "Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos" (Ml 3:6).

A disputa seguinte é sobre os dízimos: "Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos?" (Ml 3:8). A ordem: "Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa" (Ml 3:10), com a promessa de bênção. A última disputa trata das palavras duras do povo contra Deus. Em resposta, o texto traz uma cena de fidelidade: "havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao Senhor" (Ml 3:16).

O capítulo 4 (no texto hebraico, 3:19-24) anuncia o dia que arde como fornalha e a promessa do sol da justiça. Termina com a ordem de lembrar a Lei de Moisés e a promessa de enviar o profeta Elias antes do Dia do Senhor, para converter o coração dos pais aos filhos e o dos filhos aos pais (Ml 4:4-6).


4. Contexto histórico e cultural

Malaquias vive depois da reconstrução do Templo (516 a.C.), num tempo de desânimo religioso. A expectativa de glória das promessas de Ageu e Zacarias não se realizara na forma imaginada. O povo estava cansado, os sacerdotes negligentes, e as dúvidas sobre a justiça de Deus cresciam. As questões do livro, como casamentos mistos, dízimos e ofertas defeituosas, também aparecem em Neemias 13, e por isso muitos situam o profeta no tempo de Neemias, ou logo depois.

O livro usa o formato de disputa, comum em textos de ensino e de debate. As perguntas do povo ("Em que nos tens amado?", "Em que te roubamos?") revelam uma religiosidade formal, que não percebe a própria infidelidade.

O dízimo tinha base na Lei (Lv 27:30-32; Nm 18:21-24; Dt 14:22-29). A "casa do Tesouro" era a câmara do Templo onde se guardavam os dízimos e as ofertas. Em Neemias 13:10-13, Neemias reorganiza o sustento dos levitas, que haviam abandonado o serviço porque as porções não eram entregues.


5. Linha do tempo

Linha do tempo


6. O que a Escritura ensina por meio dele

Deus ama primeiro. O livro começa com o amor de Deus, e não com a acusação (Ml 1:2). A cobrança que segue repousa sobre esse fundamento.

Culto exige o melhor, e não o que sobra. Oferecer o animal cego é desonrar a quem se oferece (Ml 1:8). Deus pede devoção, e não apenas rito.

O conhecimento de Deus exige guardiães fiéis. "Os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento" (Ml 2:7) é um princípio para quem ensina.

Deus não muda. "Eu, o Senhor, não mudo" (Ml 3:6) é o fundamento da esperança e do convite à volta. A fidelidade do povo se apoia na fidelidade de Deus.

Generosidade é parte da fidelidade. "Trazei todos os dízimos" (Ml 3:10) trata do sustento do culto e do ministério. O livro liga a fidelidade nas ofertas à relação com Deus.

Deus lembra os que o temem. O "memorial escrito" (Ml 3:16) é uma garantia de que nenhum fiel é esquecido.

O que cada tradição destaca. O versículo mais discutido, Malaquias 3:10, envolve o debate sobre o dízimo. As buscas feitas para este perfil mostraram que a Baptist Faith and Message (2000), da Convenção Batista do Sul, não menciona o dízimo nem os 10%, mas chama os cristãos a dar de forma proporcional e sistemática; um artigo da Baptist Press chama o dízimo "não uma lei, mas um dos primeiros padrões de contribuição" na Bíblia; e um artigo da Criswell Theological Review (1987) pergunta se cristãos sinceros podem estar defraudando a Deus na oferta. A Ligonier Ministries tem uma aula de R. C. Sproul, "Will a Man Rob God?", sobre se os cristãos são obrigados a dizimar, mas não consegui ver a conclusão. Não encontrei posição oficial das Assembleias de Deus sobre o dízimo nem fonte luterana específica sobre Malaquias. Este perfil não atribui posições a essas tradições.


7. Cristo e o personagem

O Novo Testamento usa Malaquias em pontos decisivos. Jesus cita Malaquias 3:1 a respeito de João Batista: "Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti" (Mt 11:10; ver também Mc 1:2). O mensageiro de Malaquias 3:1 é, no Novo Testamento, João Batista, o precursor.

A promessa final de enviar o profeta Elias (Ml 4:5-6) é aplicada a João Batista por Lucas 1:17 e por Jesus em Mateus 11:14 e 17:10-13. O livro que fecha o Antigo Testamento termina, assim, com a promessa de um precursor, e o Novo Testamento começa com o precursor.

O "Senhor, a quem buscais", que virá de repente ao Templo (Ml 3:1), é lido pela tradição cristã como Cristo. O Evangelho de Lucas mostra Jesus no Templo desde o início (Lc 2:22-38; 2:46). A leitura é de intérpretes, e este perfil a apresenta como tal. O que o texto afirma é que o Senhor virá e que purificará.

O "sol da justiça" que traz cura em suas asas (Ml 4:2) também é lido pela tradição cristã como Cristo, e aparece em hinos de Natal. Essa leitura também é de intérpretes.


8. Pontos em debate

ℹOnde os intérpretes divergem

O dízimo hoje. Malaquias 3:10 é usado para pedir dízimo na igreja. Os intérpretes discordam sobre a aplicação: alguns defendem que o princípio vale para o cristão (com variações sobre o destino e a proporção), outros que o texto se dirige a Israel sob a Lei e que o Novo Testamento ensina generosidade sem fixar 10%. Este perfil registra o debate e não toma partido.

Nome ou título. "Malaquias" é nome próprio ou título ("meu mensageiro")? Antigas versões o traduzem como título. Este perfil usa o nome tradicional e registra a dúvida.

A data. O livro não traz datação. A maioria dos estudiosos o situa no século V a.C., entre a reconstrução do Templo e Neemias ou no tempo de Neemias. Este perfil não decide.

O mensageiro da aliança. Em Malaquias 3:1, há "o meu mensageiro" que prepara o caminho e "o Mensageiro da aliança" que vem ao Templo. Os intérpretes divergem sobre se são duas figuras, e a tradição cristã os distingue como João Batista e Cristo. Este perfil registra a leitura cristã.

O repúdio (Ml 2:16). A tradução do versículo é difícil, e as versões divergem sobre quem "odeia" o repúdio. Este perfil usa a leitura da ARA.


9. O que aprender hoje

Deixe o amor de Deus ser o ponto de partida. A cobrança de Malaquias vem depois do "Eu vos tenho amado".

Dê o melhor. Culto, ensino e oferta não são lugar de sobras.

Cuide dos que ensinam. Os sacerdotes eram chamados a guardar o conhecimento. Hoje, quem ensina carrega responsabilidade equivalente.

Seja fiel nas pequenas coisas, inclusive nas finanças. O texto liga fidelidade no dízimo à relação com Deus, sem esgotar o tema da generosidade.

Persevere quando Deus parecer ausente. Em tempos de dúvida, o livro oferece o memorial dos que temem ao Senhor (Ml 3:16).


10. Leituras Recomendadas

  • Calvino, João. Commentaries on the Twelve Minor Prophets (sobre Malaquias). Domínio público, disponível em ccel.org.
  • Ligonier Ministries. "Will a Man Rob God?" (R. C. Sproul, série Hard Sayings of the Bible). learn.ligonier.org.
  • Baldwin, Joyce G. Haggai, Zechariah, Malachi. Tyndale Old Testament Commentaries. IVP, 1972.
  • Verhoef, Pieter A. The Books of Haggai and Malachi. New International Commentary on the Old Testament. Eerdmans, 1987.